Santa Lúcia - Saint Martin
Olá,
Saudações da família Planckton!
Pois é estamos em Saint Martin! Desde o último relato foram menos de dois meses, mas nem sei por onde começar e o que contar... Bom, não dá pra contar tudo, mas vou tentar selecionar os melhores "causos".
Depois de Bequia partimos, nós e o Santa Paz (www.santapaz.com), rumo a próxima ilha escolhida - Santa Lúcia. A passagem foi tranquila, com golfinhos, bom vento, mar tranquilo e ainda por cima assistimos a um naufrágio! Foi reportado via VHF e já sabíamos da existência antes de sair de Béquia, mas estávamos preocupados com os containers e não esperávamos ver o navio a flor da água!
Santa Lúcia foi especial pois recebemos a visita de nossos pais - Célia e Marcelo. Nossa primeira parada foi Vieux Fort. A ancoragem é boa e tranquila, os procedimentos de entrada foram rápidos e não se paga nada para entrar aqui, mas a cidade é bastante pobre, com "língua negra" nas ruas e um pier dos pescadores com uma estrutura excelente mas bastante sujo, com restos de peixes e um cheiro péssimo, muitos pedintes e "vendedores". Decidimos passar o domingo ali e fomos até uma praia do outro lado, onde tem uma escola de kitesurf. No dia seguinte mudamos de ancoragem. Foi ótimo pois deu tempo de reencontrar o Ephemeros (http://veleiroephemeros.blogspot.com) que deu a entrada e já partiu conosco.
Fomos para Sorfrière, aos pés do que foi um dia uma cratera de um vulcão. O lugar é simpático, embora a pobreza também seja marcante. A Célia e o Marcelo ficaram num charmoso hotel em Humingbird e nós pegamos uma poita na BatCave. Todo o trecho entre os Pitons e Sorfrière é um "parque nacional" e paga-se uma taxa, seja para ancorar ou ficar na poita. Onde ficamos tinha uns 24m de profundidade e "rola" bastante (quando o barco fica balançando de lado - é um tanto chato!)... se não estivéssemos passando os dias em terra não daria para ficar. O Ephemeros e o Santa Paz mudaram para a ancoragem entre os Pitons, um lugar lindíssimo que rolava bem menos, mas as vezes entravam rajadas de 30 nós!
A semana com o vovô e a vovó foi uma delícia! Só vendo a alegria do Igor ao encontrá-los!! Não via a hora de descer logo pra encontrá-los. Quando foram embora deixaram muitas saudades mas no coração um calorzinho gostoso.
Fizemos um passeio em que conseguimos juntar todo mundo - a tripulação do Planckton com os avós, a do Ephemeros e a do Santa Paz. Fomos conhecer o vulcão que libera um ar de enxofre (aquele com cheiro de ovo podre - disseram que faz bem pra saúde...) e poços naturais que chegam a mais de 100°C. É bem turistão, mas foi interessante. Depois fomos ao jardim botânico e no final iríamos a uma cachoeira... agora você pode imaginar um grupo de brasileiros, frequentadores de cachoeiras em Parati, Ilhabela e coisa e tal, ansiosos naquele calor para entrar numa maravilhosa cachoeira refrescante... e de repente deparar com um piscinão... pois é a tal da cachoeira era uma queda d'água cimentada para fazer as piscinas... e em uma das piscinas tinha um cano de PVC para fazer a cascata... Bom, quem está na chuva é pra se molhar né... o banho era quente, esquentado pelo vulcão, numa delas não dava pra ficar muito tempo, devia ter uns 40°C. Bom, mas a companhia estava ótima e foi muito divertido nosso dia.
Em Santa Lúcia o assédio dos vendedores é mais agressivo, e tivemos algumas experiências chatas, fomos ficando aborrecidos e incomodados com a situação e de repente estávamos em uma nuvem negra, até que um dos vendedores começou a gritar comigo... e decidimos sair da nuvem... foi uma manhã inteira com meditação, incensos e conversa para nos centrarmos novamente e recuperar a harmonia...e os vendedores desapareceram!
Da BatCave mudamos para os Pitons, um ótimo snorkling e um resort - Jalousie - com balanços de casal na beira da piscina, parquinho, chuveiro com água quente, um luxo! E quem está no restaurante fica totalmente a vontade para usar a estrutura toda! Nos Pitons conhecemos mais uma família brasileira - do Casulo (http://casuloonline.com) e mudamos todos para Marigot Bay.
Marigot é uma baía bem apertada, repleta de poitas da marina. Pegamos uma poita e dividimos com o Santa Paz. Foi super bacana ficar a contrabordo - nosso catamarã! O Casulo ficou na poita ao lado, quase a contrabordo... a primeira noite foi "emocionante", pois estávamos realmente muito perto! Em alguns momentos podíamos esticar as mãos e encostar no Casulo. A marina é bem bacana, com um resort com uma super piscina com bar, uma delícia!
A Ilha toda estava com racionamento de água, e abastecer os barcos foi uma luta, e só pra quem realmente precisava. Nós, graças aos 1300 L de água dos tanques e aos banhos no hotel do vovô e da vovó, pudemos sobreviver sem abastecer por lá.
Foram dias deliciosos e tranquilos e na nossa despedida a Solange fez um super jantar no Casulo! As crianças se divertiram muito, tendo o Igor como mascote.
De Marigot fomos direto para Sant Anne em Martinica, junto com o Santa Paz. Estávamos ansiosos pois segundo consta nós brasileiros precisamos de visto para território francês ultramarino. No Brasil ligamos para várias embaixadas e a última informação que nos deram era que podíamos tirar o visto na própria ilha. Mas depois, aqui no Caribe, cada um falava uma coisa, que só tirava o visto em Guadaloupe, que não dava pra tirar o visto de jeito nenhum ou só em Santa Lúcia... bom fomos lá pra ver. No final o procedimento de entrada foi o mais simples e moderno. Você mesmo preenche um formulário num computador e alguém carimba e assina, não pediram passaporte, documento do barco nem nada. Perfeito!
Esta certo que depois de alguns dias recebemos a agradável visita da duane (alfandega). Agradável não é ironia não, eles foram super gentis e educados, apesar de darem a "geral" completa: fizeram a gente abrir todos os paineiros, checaram as baterias pra ver se tinha coisa dentro, chacoalharam as latas de 5L de azeite pra ver se era azeite mesmo... um suadouro, mas foi divertido - nossa primeira geral e em francês!
Depois de Sant´ Anne decidimos entrar em Le Marin, precisávamos abastecer de água e ir ao supermercado. Muuuitos barcos (você já ouviu isto antes)! A estada que era pra durar 2 dias acabou virando uma semana. Encontramos muitos cruzeiristas que fomos conhecendo pelo caminho e toda a tarde todo mundo se encontrava no Mango Bay, um restaurante com wifi free. E como cruzeirar também é abastacer o barco em lugares exóticos, passamos algumas horas nos supermercados locais: vinho francês, queijinhos, mousse de canard e cogumelos! Depois da pobreza dos supermercados nas outras ilhas nos sentimos reis indo às comprar e voltando com muitas delícias e ainda achando barato!
No dia em que estávamos prontos para partir tivemos a enorme e inusitada surpresa de encontrar nada mais nada menos do que Mario e Paula do Pajé (www.pajeporai.blogspot.com) - Como assim, eles não estão na Nova Zelandia? Terão os nossos heróis sido arrastados por um tsunami? Estarão aqui em alguma missão secreta? Ou pegaram um avião e cruzaram metade do globo apenas para matar saudades? Também não sei quantas garrafas de vinho tomamos a bordo do Santa Paz para celebrar o encontro, mas demos boas gargalhadas.
Mas, tínhamos que seguir... mais uma vez saindo com gostinho de quero mais... fomos para Petit e Grand Anse d'arlet, passamos 4 dias e seguimos viagem rumo a Ile de Sants em Guadaloupe, mas já num ritmo mais apressado, pois queríamos encontrar a titia e sua trupe na páscoa em Saint Martin.


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