Saint Martin

Olá,

Saudações da família Planckton!

Sim! Estamos nos Açores! Mas, não podemos deixar de relatar nossa estadia em Saint Martin. Aguardem em breve o capitulo da travessia e nossa chegada nos Açores...

Ao chegar em Saint Martin, em 29 de abril, começamos uma nova etapa da nossa viagem, a preparação para a "Grande Travessia", a maior travessia do nosso roteiro: 2.300 milhas náuticas através do atlântico norte rumo ao arquipélago dos Açores. Todos os anos mais de 1.000 barcos cruzam o atlântico, a maioria voltando para casa. Alguns como nós "cruzeirando" e outros com skippers profissionais fazendo o "delivery" do barco. O mais comum é usar a marina de Horta, no Faial como parada estratégica, reabastecer e seguir viagem. Para nós os Açores com suas 9 ilhas são o motivo desta viagem.

Passamos 50 dias em Saint Martin, e nossa estadia foi como um caleidoscópio, cores e formas mudando a cada novo dia, a cada nova etapa.

Os primeiros dias foram de encontros, passeios e alegria. A titia chegou com toda a sua trupe - Fernando, Rafael e Amanda. O rostinho do Igor com brilho nos olhos quando viu todo mundo vai ficar pra sempre gravado na memória! Um presente. Passamos uma semana deliciosa, passeamos pela ilha, conhecemos as praias, o forte, a fazenda das borboletas, velejamos até Anguila e comemoramos o aniversário da Helo. A semana passou voando e os corações ficaram apertados na despedida...

Como a sorte sempre nos sorri, o dia da despedida coincidiu com o dia da chegada do Ephemeros, ainda por cima com visita - a Juliana e a netinha Manuela - e com direito a almoço de Páscoa e tudo! Passamos alguns dias juntos, conhecendo outras ancoragens. O Igor e a Manuela, com temperamentos muito parecidos, formaram uma bela dupla.

Encontros e reencontros estavam apenas começando. Conhecemos a Andy e o Galdo do Baleeiro, que por sorte tinham um charter agendado por aqui. Já tínhamos trocado alguns emails e foi fantástico a gente poder se encontrar. Apesar de pouco tempo juntos tivemos momentos adoráveis.

Logo em seguida chegou o Santa Paz - Já estávamos com saudades! Foi muito especial a nossa aproximação viajando juntos. Mesmo com toda a sintonia e objetivos comuns, quando vizinhos em Parati não tínhamos desfrutado tanto uns aos outros como nesses meses que passamos juntos aqui. As meninas cada vez mais sabidas e divertidas, a Sandra e o Lucas super dedicados e fazendo nascer a primeira escola waldorf flutuante... Talvez por saber que em breve iríamos nos separar, aproveitamos todas as oportunidades para estar juntos, formando um bando alegre e barulhento!


Ficamos todos na mesma marina, em Marigot Bay, dentro do Lagoon. O Ephemeros e o Santa Paz no pier e o Planckton na poita. E aos poucos uma nova rotina foi se estabelecendo e preparar os barcos era a palavra de ordem.

O Ronny do Luar também estava por aqui, em Simpson Bay do lado de fora. Aos domingos cruzava o Lagoon e íamos todos tomar café da manhã na "Croisanterie". E quando precisávamos de um bom mergulho no mar ele nos acolhia por lá. Planejamos sair juntos, na primeira janela de maio, para a travessia do atlântico e o Ronny, que já fez esta travessia mais de uma vez, foi muito bacana dividindo sua experiência conosco (com direito a recomendação de restaurantes e tudo o mais) e se dispondo a atualizar nossa previsão do tempo diariamente através do rádio SSB.

Aos poucos todos foram chegando, o Casulo, que passou rapidamente por aqui, o Pajé, e nossos amigos franceses do Constante Singapore. E muitos brasileiros: A Heloísa e o Enoc, que vieram para compor a tripulação do Luar, o Paulo do veleiro Ubatuba, mas que aqui estava no Guizzi. Na festinha que fizemos para comemorar o aniversário do Fabio juntamos 21 pessoas a bordo do catamarã de um amigo.

Saint Martin/ Sint Maarten é uma ilha peculiar, pois pertence a duas nações diferentes - França e Holanda - e parece ter gente do mundo inteiro. Embora de carro circule-se entre os dois países sem fronteiras, quando muda-se de barco de um lado para o outro da ilha é necessário dar a saída em um país e dar entrada no outro, com todas as taxas implicadas no procedimento e com regras diferentes. Por exemplo, do lado francês não se paga taxa para ancorar (exceto em Marigot Bay) e não se paga nada para dar entrada (como na Martinica você tem a opção de dar a entrada através de um computador). Já do lado Holandês paga-se uma taxa semanal e mais uma boa grana para entrar. Uma ilha com dois países e três moedas (Euro do lado Francês e Dólar ou Guilder do lado Holandês).

Saint Martin já teve seus tempos de glória, mas hoje em dia os comerciantes relatam uma queda grande no turismo e muitos estabelecimentos aceitam o pagamento em dólares com câmbio, acredite se quiser, de 1 dólar = 1euro e caçam seus clientes na calçada.

Já em Sint Maarten, o lado holandês, as grandes lojas náuticas fervem, as marinas estão lotadas de mega iates e catamarãs que não deixam nada a desejar a uma bela casa de praia, com máquina de lavar, TVs de tela plana, freezers e tudo o mais.

Em Philipsburg mil lojas de eletrônicos, relógios, joias e afins... Os cruzeiristas estão por toda a parte especialmente nas feiras de usados e trocas.... resumindo: CONSUMO. Todos os caminhos levam ao consumo. Obviamente também caímos em tentação e o Planckton ganhou um freezer de 50L - que é claro demandou o aumento das nossas placas solares - e de quebra uma TV de 19 polegadas (para os desenhos durante a travessia) e corrente nova para a âncora. Através da Net que rola todos os dias no VHF canal 14, coordenada pelo Mike, conseguimos vender em menos de 1h duas placas solares antigas, e na feirinha do Laggonies (ponto de encontro de brasileiros também) vendíamos os badulaques que trouxemos do Brasil.

Se você vem pra cá de barco é bom vir preparado para investir! Os preços são muito bons, tem muita opção e além disso é porto livre e importa-se com facilidade dos Estados Unidos. É incrível, mas aqui aquele cruzeirista fazendo navegação no sextante e em carta de papel chega a parecer pré-histórico e ter apenas um GPS sem ploter é coisa do passado. Racionamento de água pra que? Watermaker. Cruzeirar hoje em dia pode ser altamente tecnológico e eletrônico e definitivamente passar por aqui aumentou nossa lista de desejos... Mas é sempre bom lembrar que mesmo com todo aparato moderno sem um bom capitão, boas velas e um bom casco não se vai muito longe...

Passamos uns dias meio atordoados apoitados no Lagoon, para facilitar toda a faina de preparar o barco: abastecimentos, instalações e manutenções.

A água do Lagoon é suja (menos suja do que do lado Holandês, mas bem suja), e os dias batiam os 35oC e sem vento. Todas as tardes terminavam com "O riacho das águas cantarolantes", (uma historinha que inventei para explicar por Igor o mal-humor que ele estava sentido com todo aquele calor...) e um bom banho de esguicho.

Nas últimas semanas mudamos pra praia e a vida foi voltando ao normal. Agora a ordem do dia é descansar, tomar muito banho de mar, fazer castelo de areia, acalmar e guardar nossas energias para a travessia que nos espera.

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